Projeto viário bilionário sobre a Represa Billings avança após anos de espera e pode mudar a rotina de deslocamento na Zona Sul de São Paulo, conectando bairros isolados, reorganizando o trânsito local e integrando ônibus, ciclovias e acesso ao transporte sobre trilhos.
Um projeto viário estimado em cerca de R$ 450 milhões prevê a construção da Ponte Graúna-Gaivotas sobre a Represa Billings, na Zona Sul de São Paulo.
A estrutura foi concebida para criar uma ligação direta entre áreas hoje separadas pelo Braço do Cocaia.
A iniciativa, segundo materiais técnicos e comunicações oficiais da Prefeitura, busca reorganizar o trânsito local, ampliar opções de deslocamento e integrar ônibus, bicicletas e circulação de pedestres.
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O trecho é considerado um dos principais gargalos urbanos da região.
Mais de 1 milhão de moradores convivem diariamente com a represa como barreira física para acessar serviços, emprego e transporte de massa.
A proposta central é reduzir um deslocamento que, em horários de pico, pode ultrapassar uma hora.
Divulgações oficiais e reportagens indicam que o novo trajeto pode ser feito em cerca de 14 minutos, dependendo das condições de tráfego e operação do sistema viário.
Represa Billings como obstáculo histórico ao deslocamento
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Nos bairros do entorno, como Parque Cocaia, Cantinho do Céu e áreas próximas ao Grajaú, a geografia pesa no tempo de deslocamento diário.
Para alcançar regiões com maior concentração de serviços e conexões metropolitanas, motoristas e usuários do transporte público precisam contornar longos trechos da represa.
Esse percurso indireto sobrecarrega vias já saturadas e amplia o tempo gasto no trajeto cotidiano.
Com a nova ligação, a proposta é transformar um caminho fragmentado em uma travessia direta.
A ponte conectará o entorno do Grajaú a áreas do distrito de Cidade Dutra.
A expectativa é redistribuir os fluxos viários e criar uma alternativa permanente de circulação.
O projeto também é apontado como rota estratégica para situações de emergência, hoje limitadas pela escassez de travessias sobre a Billings.
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Sistema viário vai além da travessia sobre a represa
Apesar de ganhar visibilidade pelo nome da ponte, o empreendimento envolve um complexo viário completo.
A Prefeitura descreve a obra como a implantação de novas vias, requalificação de avenidas existentes e criação de acessos contínuos antes e depois da travessia.
O pacote inclui ciclovias, passeios para pedestres, iluminação pública e adequações para o transporte coletivo.
A extensão da ponte aparece com variações em documentos oficiais de diferentes períodos.
Uma publicação de 2022 mencionava uma travessia de 700 metros.
Já comunicados mais recentes e o Estudo Técnico Preliminar tratam a estrutura como uma ponte de 960 metros sobre o Braço do Cocaia.
Esses materiais descrevem duas faixas por sentido, além de ciclovia e passeio para pedestres.
A diferença de metragem pode estar relacionada a critérios técnicos de medição do conjunto da estrutura.
Trechos do projeto organizam acessos antes e depois da ponte
O sistema viário está dividido em três segmentos principais, conforme documentos técnicos da Prefeitura.
O primeiro trecho parte do eixo da Avenida Lourenço Cabreira e da Avenida Manuel Alves Soares até a Praça Ramires Ferreira.
Esse segmento tem pouco mais de 1,4 quilômetro de extensão.
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O segundo trecho avança em direção à travessia e termina no encontro da Estrada Canal do Cocaia com a Rua Cláudio Astaria.
É nesse ponto que se concentra a ponte sobre a represa.
O terceiro trecho segue por vias como Estrada Canal do Cocaia, Rua Rubens de Oliveira e Rua Pedro Escobar.
Esse segmento se conecta à Avenida Dona Belmira Marin, consolidando o acesso no lado das Gaivotas.
Integração com ônibus, ciclovias e CPTM
A Ponte Graúna-Gaivotas foi projetada como infraestrutura multimodal.
Além das faixas para veículos, o projeto prevê ciclovia segregada e passeios contínuos para pedestres.
A iluminação pública e a requalificação viária fazem parte do pacote de intervenções.
No transporte coletivo, a nova ligação está associada à integração com corredores e faixas exclusivas da Zona Sul.
Documentos municipais citam eixos como as avenidas Teotônio Vilela e Dona Belmira Marin.
O sistema também se conecta ao Terminal Grajaú e à Linha 9-Esmeralda da CPTM.
A proposta é reduzir o tempo de acesso ao transporte sobre trilhos.
A reorganização das paradas de ônibus e das vias alimentadoras também está prevista.
O desempenho final, no entanto, dependerá da operação das linhas e da oferta de transporte após a entrega da obra.
Licitação lançada e prazo depende da contratação
O edital de licitação para as obras da Ligação Viária Graúna-Gaivotas foi lançado pela Prefeitura em outubro de 2024.
Ponte Graúna-Gaivotas promete reduzir trajeto na Zona Sul de SP, integrar transporte e ligar bairros isolados sobre a Represa Billings.
Ponte Graúna-Gaivotas promete reduzir trajeto na Zona Sul de SP, integrar transporte e ligar bairros isolados sobre a Represa Billings.
O movimento representou avanço após anos de estudos e ajustes técnicos.
Documentos vinculados à contratação tratam o empreendimento como execução completa da ponte e do sistema viário associado.
Em comunicados oficiais, a estimativa apresentada é de 36 meses de obras após a assinatura do contrato.
Esse prazo não corresponde a uma data fixa de inauguração.
A contagem depende da conclusão do processo licitatório, da ordem de serviço e do andamento no canteiro.
No campo legislativo, a Câmara Municipal aprovou em junho de 2025 um projeto de lei relacionado à reestruturação viária necessária para viabilizar a obra.
O texto foi encaminhado para sanção do prefeito.
Impacto direto para bairros da Zona Sul
Os principais beneficiários diretos são moradores de distritos como Grajaú e Cidade Dutra.
Áreas atendidas pelas vias de acesso no Parque Cocaia e nas Gaivotas também estão no raio de impacto imediato.
A Prefeitura menciona alcance potencial para mais de 1 milhão de pessoas, com base em dados populacionais do IBGE.
A criação de uma nova travessia sobre a Billings pode aliviar a pressão sobre vias atualmente saturadas.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a redistribuição do tráfego exige atenção ao desenho das interseções.
Travessias de pedestres, ciclovias e priorização do transporte coletivo serão determinantes para o resultado prático.
Se a estimativa de redução drástica no tempo de deslocamento se confirmar no uso cotidiano, a obra pode alterar hábitos básicos da população local.
A dúvida que permanece é como essa nova ligação será absorvida nos horários mais críticos do dia e se a Ponte Graúna-Gaivotas conseguirá, na prática, transformar a mobilidade da Zona Sul sem apenas deslocar os congestionamentos para outros pontos da cidade.