Saques reduzem 15% nas rodovias federais do Paraná, mas registros de ocorrências mantêm alerta, informa PRF
quarta-feira, 21/01/2026, 12:09
Os registros de saques de carga nas rodovias federais que cortam o Paraná apresentaram queda de 15% entre 2024 e 2025, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em 2024, foram contabilizadas 217 ocorrências. Já em 2025, o número caiu para 184 casos, o que ainda representa, em média, uma ocorrência a cada dois dias no estado.
De acordo com a PRF, apesar de o termo saque de carga ser amplamente utilizado, não existe uma tipificação específica para esse crime na legislação brasileira. As ocorrências são enquadradas como furto, quando não há violência ou grave ameaça, ou como roubo, nos casos em que esses elementos estão presentes.
No entanto, o policial rodoviário federal André Filgueira ressalta que a ação se trata de uma prática ilegal, já que as mercadorias têm proprietário e integram uma cadeia logística formal, que envolve empresas e transportadores autônomos. Ele destaca que parte considerável das ocorrências conta com a atuação de grupos organizados.
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Mesmo com a redução registrada no último ano, a PRF considera que o crime segue recorrente no Paraná, justamente pela atuação desses grupos organizados, que mantêm redes de informação voltadas para esse tipo de prática.
Para a corporação, além do impacto direto na segurança viária, o roubo e o saque de cargas provocam reflexos em toda a sociedade. Esse tipo de crime eleva os custos do transporte, encarece seguros, exige investimentos maiores em rastreamento e mudanças logísticas e compromete a capacidade de distribuição das empresas.
Esses custos acabam sendo repassados ao consumidor final, contribuindo para o aumento do custo de vida. Também há prejuízo à concorrência, já que produtos de origem ilícita retornam ao mercado, afetando principalmente pequenos comerciantes que atuam de forma regular.
Casos recentes
Na manhã desta quarta-feira (21), um incêndio em um caminhão provocou o bloqueio total da BR-376, em Guaratuba, no litoral do Paraná. Segundo a PRF, parte da carga foi saqueada antes da chegada das equipes de atendimento, o que configura crime. O caminhão transportava cerveja e parou no km 668 da rodovia, no sentido Santa Catarina. Ninguém foi preso.
A interdição total durou cerca de duas horas, com liberação parcial da pista por volta das 8h30. De acordo com a concessionária Arteris Litoral Sul, o tráfego foi normalizado, mas motoristas ainda enfrentaram lentidão no trecho, onde o congestionamento chegou a 15 quilômetros. As chamas destruíram completamente o cavalo mecânico, mas não atingiram outros veículos e não houve feridos.
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Outro episódio grave, mas com uma dinâmica diferente, ocorreu na BR-116, em Campina Grande do Sul, após uma tentativa de assalto que terminou em um acidente com seis mortos e 16 feridos. Conforme a Polícia Civil do Paraná, além de provocarem a colisão, os criminosos ainda tentaram roubar pertences de sobreviventes antes de fugirem.
Segundo o relato apurado pela polícia, suspeitos armados interceptaram um caminhoneiro que seguia em direção a São Paulo e o obrigaram, sob ameaça, a retornar pela rodovia no sentido Curitiba. Com a mudança de rota, a empresa de monitoramento acionou o bloqueio mecânico do caminhão à distância, levando os criminosos a abandonarem o veículo.
Antes da fuga, os suspeitos libertaram o motorista e soltaram o freio de mão do caminhão. Desgovernado, o veículo desceu a rodovia de ré e atingiu uma van que transportava 21 pessoas no sentido contrário. As seis vítimas fatais retornavam para Campo Largo após participarem de um culto religioso em São Paulo.
Para André Filgueira, a orientação é que empresas invistam na prevenção de acidentes e no reforço da segurança das cargas, com sistemas de trancamento e proteção, reduzindo as oportunidades para a ação criminosa nas rodovias federais do Paraná.
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A PRF aponta que, além de colocar vidas em risco, crimes como roubos e saques de carga atrasam o atendimento a vítimas, aumentam o risco de novos acidentes e ampliam os prejuízos econômicos.
Por: Bruno de Oliveira