Alta histórica das tarifas e falta de transparência colocam Uber e 99 no radar do Procon

Alta histórica das tarifas e falta de transparência colocam Uber e 99 no radar do Procon

Oi Eduardo, tudo bem?

O preço do transporte por aplicativo no Brasil registrou aumentos expressivos em 2025, afetando diretamente o bolso dos consumidores e acionando órgãos de defesa do consumidor. Relatos de usuários sobre corridas curtas com valores muito acima do habitual se multiplicaram nas redes sociais, enquanto a prática do preço dinâmico deixou de ocorrer apenas em horários de alta demanda e passou a ser percebida como constante. O movimento levou o Procon-SP a notificar plataformas como Uber e 99, exigindo explicações sobre os critérios que justificam a variação das tarifas.

O alerta do órgão, formalizado em 12 de dezembro, cobra transparência. As empresas devem detalhar se houve reajustes, por quais motivos e com base em quais fundamentos técnicos. Segundo o Procon-SP, a falta de clareza sobre o funcionamento do preço dinâmico pode caracterizar prática abusiva, em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor.

Os dados oficiais reforçam a percepção popular. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, o serviço de transporte por aplicativo acumulou alta de 45,38% em 2025, liderando a lista dos serviços que mais encareceram no país. O impacto, porém, foi desigual entre as regiões: enquanto a Região Metropolitana de Porto Alegre registrou aumento de 74,76%, São Paulo teve alta de 35,81% e Belo Horizonte, de 30,98%. A prévia da inflação de dezembro ainda aponta um acréscimo adicional de 9%, sinalizando tendência de elevação contínua.

Analistas apontam fatores de mercado que ajudam a explicar a escalada dos preços. A redução da oferta de motoristas, pressionada por custos operacionais crescentes, como combustíveis, manutenção e seguros, combinada à alta demanda, contribui para o encarecimento das corridas. Além disso, os algoritmos de precificação ajustam valores em tempo real, considerando variáveis como horário, condições climáticas e concentração de passageiros. Embora a lógica seja economicamente consistente, consumidores criticam a ausência de critérios públicos e facilmente compreensíveis que expliquem os valores cobrados.

Pesquisa inédita do GigU, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 58,2% dos motoristas consideram que as plataformas não são claras em relação a seus critérios e regras, enquanto 36,7% afirmam que apenas parte das informações é compreensível. Apenas 5,1% percebem total transparência nos serviços utilizados diariamente.

A falta de clareza impacta diretamente decisões operacionais e o rendimento financeiro. “Quando critérios de bloqueio ou comissões não são explicados de forma objetiva, o motorista tem dificuldade para planejar suas jornadas e otimizar ganhos”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e co-fundador da fintech. A percepção parcial de transparência, apontada por quase 37% dos entrevistados, indica que, mesmo quando informações são fornecidas, elas nem sempre são suficientes para orientar o trabalho cotidiano.

O impacto financeiro recai tanto sobre usuários frequentes quanto esporádicos. Para as empresas do setor, o aumento das tarifas contribui para liquidez e previsibilidade. Para os consumidores, porém, significa gastos mais elevados e maior necessidade de planejamento. Em cidades como São Paulo, a cobrança dinâmica em horários antes considerados de baixa demanda já se tornou parte da rotina.

A resposta das plataformas tem sido articulada por meio da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que afirma que fatores como tempo de deslocamento, distância e demanda no momento da corrida influenciam diretamente o preço final. A justificativa, no entanto, não encerra a discussão sobre transparência, que segue sob análise do Procon-SP. O órgão pode abrir investigações e aplicar sanções caso identifique práticas abusivas.

Enquanto isso, especialistas recomendam que consumidores registrem cobranças consideradas irregulares, guardem evidências e comparem tarifas entre plataformas. A escalada dos preços também reforça a importância de alternativas de mobilidade, como planos corporativos, aplicativos de carona e integração com o transporte público, especialmente para quem depende de corridas frequentes.

O aumento das tarifas evidencia uma tensão estrutural no mercado de mobilidade urbana: a equação entre oferta limitada de motoristas, demanda crescente e algoritmos de precificação dinâmica. Em 2026, o debate tende a ganhar novas camadas, exigindo maior equilíbrio entre rentabilidade, eficiência operacional e proteção ao consumidor.

Caso tenha interesse na pauta, basta nos avisar que faremos a ponte com o executivo/especialista para uma entrevista.

GigU

Criada em 2017, a GigU (anteriormente chamada StopClub) é uma startup que aumenta a lucratividade e segurança de motoristas e entregadores de aplicativo por meio de ferramentas inteligentes. Está entre as missões da GigU criar uma comunidade unida e cada vez maior, que ofereça soluções de segurança e financeira personalizadas de acordo com a dor e necessidade de cada trabalhador. Atualmente a GigU é a maior comunidade de trabalhadores de aplicativo do Brasil somando mais de 250 mil usuários em uma rede de compartilhamento de conhecimentos e experiências.

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